Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ÀDÚRÀ







O Candomblé sem dúvida é uma das mais belas e originais manifestações de espiritualidade, com um vasto e riquíssimo naipe de nuances, com personalidade, feição e expressão próprias, traduzidas em linguagem também própria e variadas.
A nossa religião é eminentemente de transmissão oral, e apesar disso, conseguimos preservar ao longo do tempo grande parte dos seus rituais, cânticos e liturgia.
A língua oficial nas Nações Kétu, Ègbá, Ifón e Ìjèsà, é o Yorubá, que apesar disso é também muito utilizada nos cultos de origem Angola e Jeje, oriundos de países e culturas diferentes. Algumas pessoas, infelizmente poucos são os terreiros que ainda conseguem ainda hoje manter a tradição falada em Yorubá e têm um domínio e conhecimento perfeito do idioma, mas a maioria dos seguidores do Candomblé apenas o faz de forma empírica e mecânica, limitando-se a repetir o que foi dito e decorando o essencial.
Torna-se, portanto muito importante nos nossos dias fazer um esforço no sentido de recuperar o Yorubá, por isso que devemos manter a tradição de ensinar e traduzir, para os nossos iniciados durante os anos de “noviciado” (yawô) Ketu ou Muzenza no Angola. Que não seja perdido e, sobretudo para que seja entendido tudo aquilo que é dito e transmitido na nossa tradição.
É através dela que se conversa com os Òrìsàs – a tradição Oral – e é também através dela que se expressam os Orins (cânticos), Àdúrà (rezas), Ofos (encantamentos) e Oríkìs (louvações).

O Exu feminino como surgiu?


Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Bombogira (também conhecida como pombogira, pomba-gira) ou um Orixá que a fundamentasse. Mas, conta-se que na vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800), estes aqui encontram-se com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos que cultuavam os Orixás.
Com o passar do tempo a formosa e provocativa Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele.
Mas ela, sempre muita sagaz, misteriosa e astuta como só ela é, foi logo afirmando que era mulher de destaque e poder e tendo sete exus como maridos, um para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de entidade relacionada ao amor, ganhando assim superioridade e de independência.
No entanto, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para cuidar da casa. Lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos. Assim, a Bombogira foi logo ao início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres. Logo ganhou forças nas senzalas.
Muito extrovertida, engraçadas e ao mesmo tempo responsáveis nos seus afazeres e pedidos.
Enfim se tratando de coisas íntimas e de caráter pessoal, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar. As mulheres as amam e se veem um pouco em cada uma delas.
Muitas mulheres em situação amorosa não correspondida logo pedem socorro a pombagira.
Quando se apresentam, em cada região do Brasil, são vários os seus nomes:

* Pombagira das Sete Encruzilhadas
* Pombagira das Sete Praias
* Pomba-gira das Sete Coroas
* Pombagira das Sete Saias                              
* Pomba-gira Dama da Noite
* Pombagira Maria Molambo
* Pombagira Maria Padilha                                              
* Pombagira das Almas
* Pombagira dos Sete Véus
* Pombagira Cigana
* Pombogira Morena da Praia
*Pombogira morena dos olhos azuis

O simbolismo é típico da Umbanda porque na África, ela não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Da Umbanda, ele foi muito bem aceita no candomblé de ketú, vindo para nos unir.
 Entre um gole de champagne e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajudam a todos que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas! 

“Loroyê! as DONAS das ENCRUZAS E RUAS”!